Uma revolução desacelerada por um passado que insiste em se dizer futuro.

POR: Valter Carvalho, Gerente de Inovação e Integração na TCS


Uma revolução desacelerada por um passado que insiste em se dizer futuro.

E isso é a forma mais simplificada que consigo colocar as coisas.

O que são startups?

Dezenas de definições, tangenciais ou não, saltam aos olhos numa breve busca.

DNA tecnológico. Escalável. Perspectiva de grandes lucros com um overhead operacional baixo. Incubadoras de “unicórnios”.

Certamente a mitologia é enorme e coloca um peso tão enorme quanto nos ombros de quem decide se aventurar nesse universo, seja como a própria startup, seja como investidor anjo, seja como usuário de algum serviço incipiente.

É possível ver além da hype, no entanto?

Não é tão fácil. Não se você está mergulhado nesse mundo. As expectativas se misturam, profundamente. O que deveria ser expectativa por uma solução diferenciada, se torna expectativa por um “valuation” acelerado. E isso faz com que as vistas fiquem marejadas, o julgamento fique endurecido, jogando para o lado muitas iniciativas que poderiam, sim, ser uma verdeira revolução. Não é, afinal, essa a história de tantos negócios que foram, tantas vezes, desacreditados, até que encontram o apoio certo, com fé e intensidade, para se desenvolverem?

Pois é. A própria história da maioria das startups de sucesso vai contra aquilo que esperamos encontrar em uma startup em seu estágio inicial. Uma contradição.

E é essa a maravilha, eu lhes digo. Sim, essa contradição. A fricção sobre a realidade faz com que a mesma se movimente e, ao se movimentar, atinga platôs que desconhecíamos. E é o desconhecido que caracteriza a inovação. De “post-its” a redes sociais a negócios de economia colaborativa, tudo que não fazemos muito claramente ideia hoje mas que faz absoluto sentido ao ser “tirado da cartola” é o que podemos chamar de inovação aplicada. É o que podemos ouvir bater como o coração de uma startup.

Por isso, as expectativas sobre esses movimentos de compilação do conhecimento e técnicas existentes em busca por soluções, por muitos chamados de “startups”, deveriam ser simples: Trazer essas soluções à vida. Fazê-las girar e transformar tudo que elas se propõe transformar, cumprindo, assim, a missão de sua existência.

Mas, e os bilhões, você me pergunta? E os unicórnios? E os famosos “pit’s” para termos certeza de que essa startup pode se tornar uma dessas máquinas de dinheiro? Tudo isso é a ilusão, o subproduto, o passado que insiste em se travestir de futuro. Mas, não se enganem. Não é por ser, efetivamente, um passado, que ele é fraco. Pelo contrário. O petróleo, as finanças, as patentes, tudo isso é parte desse mundo de ontem mas que ainda domina o hoje. O poder maior está lá. As vozes mais ouvidas vêm de lá. E por lá só sabem pensar em termos de “valuation”, de dinheiro, como fim em si mesmo e não consequência natural de uma solução bem posicionada.

Por isso você, que está pensando em ser uma startup, em investir em uma startup ou em um fundo de startups, não caia nessas armadilhas. Pense na solução. Levante a cabeça e olhe para o mundo, com sua própria ótica. Trabalha para indústria? O que o chão de fábrica mais precisa? Essa é sua ótica. Trabalha para o comércio? O que os atendentes do varejo sofrem, o que confunde os clientes? Trabalha na área de saúde? O que arranca o cabelo de médicos, o que dificulta o trabalho de enfermeiros, com o que sofrem os parentes de pacientes internados?

Soluções. Simplicidade. Tecnologia? Desejável, sem dúvida. Mas como meio, jamais um “falso meio” que acaba sendo um fim em si mesmo.

Isso é uma boa definição para startups. Isso é um arco-íris a ser buscado, pois está em um caminho real, de expectativas reais, de impacto sobre a realidade. Não um “valuation” qualquer dado por financistas que pouco entendem do negócio e cujo nome deturpa os pobres unicórnios, criaturas tão lindas e que nunca deveriam ser usadas para mostrar uma mera pilha de dinheiro, mas sim o salto para uma realidade melhor, mágica por aquilo que trás às nossas vidas.

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